domingo, 7 de dezembro de 2014

O amor não é pra mim


Já aceitei. O amor não é pra mim!
Não vou mais correr o risco. No final das contas, acaba não valendo a pena. Eu me surpreendo demais com as máscaras que os outros vestem, e isso faz de mim uma pessoa despreparada para lidar com a crueldade do mundo lá fora.
Fui traída em todos os meus relacionamentos. Todos!
Alimento dúvidas do tipo: A culpa foi minha? Não fui legal o suficiente? Não merecia a lealdade deles?
Putz! Obrigada, meninos, por terem me plantado questões existenciais que não serão resolvidas nem com muita terapia. Talvez quem sabe em outra vida?
Tento, mas não entendo!
É justo, eu me pergunto?
Não sei.
Não tô aqui pra falar de justiça, pra julgar ninguém, pra praguejar contra a minha falta de sorte.
Só constatei, o amor não é pra mim!
Se ele é pra vocês, sorte a sua! Aproveitem! Dividir uma risada ou uma lágrima é bem melhor que fazê-lo sozinho. 
E fica aqui o meu recado.
Se um dia o seu amor acabar, não se acanhem em dizer. Respeitem o sentimento do outro. Não traiam. A traição coloca em cheque toda a veracidade do relacionamento, e isso causa cicatrizes para sempre doloridas na outra pessoa.
Se não amam mais, chamem pra conversar, saiam dignamente, do mesmo jeito bacana que entraram. Mantenham o respeito, a amizade, as lembranças do que foi bom.
Se não amam mais, falem claramente, assim como todos os "eu te amo" ditos. Com todas as letras.
Se não amam mais, respeitem o tempo do outro. Pratiquem a empatia, afinal de contas, pode acontecer com vocês também.
Boa sorte em seus caminhos. Sejam felizes!
Quanto à mim, já entendi. O amor não é pra mim!

domingo, 30 de novembro de 2014

Dos mundos onde habito



Lá fora há um grande circo armado.
Não existe picadeiro, malabares ou palhaços, mas ainda assim é um circo.
Todo mundo maquiado, roupas espalhafatosas e risadas forçadas.
Todo carisma empalhado, todo amor disfarçado e todo bem querer entravado.
Tal qual no circo, onde termina a fantasia e começa a realidade?
Tal qual no circo, qual riso é sincero e qual choro é mentiroso?
Circo é legal, circo é bacana, mas todo dia é como macaco batendo palma para banana.
É cansativo, é pesado, é doloroso mas é necessário.
Quem não se adequa ao circo, logo é eliminado.
Os mundos onde habito também são assim. Lá fora há um grande circo armado.

domingo, 28 de setembro de 2014

Porque eu odeio gente que grita



Depois de muito pensar, resolvi não mais calar.
E não pense que vou gritar, porque a ti jamais vou me igualar.
Pensei, pensei e cheguei a uma só conclusão.
Para ti, que é adepto do grito, falta mesmo educação.
Se pensas que assim se faz maior, que triste enganação.
Saiba que a cada vez que gritas, fica menor o seu coração.
E para gente de coração pequeno, não há muita salvação.
Tenho pena, fico triste, mas não vejo outra solução.
Tratar como louco aquele que assim se comporta, fazer cara de paisagem e concordar com a cabeça.
É o que se faz em qualquer situação onde isso não seja o que de fato se mereça.
Pode gritar à vontade, pois quanto a isso não me irrito.
Finjo de boba, rio por dentro, mas lá no fundo eu me aflijo.
Me aflijo porque de ti o mundo não precisa, e se soubesses que não faria nenhuma falta, talvez de outro modo agiria.
Deve mesmo ser triste precisar gritar, pois perto de ti por vontade própria, pouca gente quer ficar.
Se pensares um pouquinho, duvido que a cabeça no travesseiro consigas deitar.
Pense mais um pouco, e com carinho, e reflita se precisas mesmo gritar.
Não me leve a mal, não digo isso por ingratidão.
Só queria levar um sopro de vida para dentro do seu coração.

Carta à primavera



Eu sei, você chegou há poucos dias.
Pensei logo em escrever uma carta de boas vindas, mas os dias corridos não me deixaram parar.
Não pense que por algum segundo eu cogitei a possibilidade de não saudá-la assim, formalmente, oficialmente, apaixonadamente.
Escrevi à você em outras ocasiões, quando seus dias para mim tinham um significado diferente.
Mas ainda assim, estou aqui para dizer-lhe: podes não ser a minha preferida, confesso, mas com você eu sinto que ainda existe a chance de dias melhores.
Sim! Dias melhores porque você mostra que depois da morte, existe a vida. Que depois da queda, existe a subida. Que depois do cinza, existe a cor.
Primavera querida, venha com suas cores, e dores, e amores, nos encher de novos dias.
Venha com seu colorido descortinar as nossas almas.
Venha com sua alegria fazer transbordar os nossos sorrisos.
Venha com seu sabor nos oferecer a doçura.
Venha com seu aroma nos oferecer o amor.
Primavera querida, transforma nossos pensamentos em cantigas de ninar.
Leva embora nossos pesadelos, para nunca mais voltar.
Traga de volta os lindos pássaros, que outrora cantavam sem parar.
Faça do hoje e do agora, o tempo do qual nunca se esquecerá.
Primavera querida, com céus de nuvens de algodão, saibas que para ti escrevo porque és a dona do meu coração.

domingo, 17 de agosto de 2014

Aquilo que se vê no espelho


No automático a gente acorda para mais um dia.
No automático a gente abre os olhos, levanta da cama, uns dias com mais preguiça, outros com menos, escova os dentes e se olha no espelho.
Se olha no espelho...
No espelho vemos marcas que refletem aquilo que somos. Pelo olhar, identificamos o que esconde a nossa alma. E mais do que um cabelo bem cortado, bem cuidado, mais do que uma pele de pêssego, mais do que uma sobrancelha bem marcada, mais do que o protetor solar e a maquiagem em dia, o que vemos?
É fato que o tempo passa. Sinais dos dias que se vão ficam marcados na gente. Marcas que vão se juntando feito peças de um grande quebra –cabeça chamado “nós”. E de peça em peça vamos nos moldando, nos recriando, nos reinventando para o gigantismo do mundo lá fora. Nos construindo na tentativa de blindar o coração dos monstros que se escondem entre rostinhos, corpinhos e palavras bonitas.
Ah, o espelho. O espelho sabe quem somos de verdade. Porque para ele, e talvez somente para ele, podemos nos mostrar sem censura. Para o espelho podemos desabafar, treinar nossas melhores caras e bocas, ensaiar discursos intermináveis, decorar falas que nunca saem das nossas cabeças e simplesmente ser. Sem máscaras, sem filtros, sem medos.
Se para o espelho você se mostra de um jeito e para o mundo de outro, cuidado! O desafio é ter coerência entre suas duas personas. O desafio é gostar do que reflexo que vê e se orgulhar das atitudes que expõe.
Desafio. Espelho. Eu interior. Eu exterior.
Desafio. Espelho. Devaneios.
E você? Está satisfeito com o que mostra o espelho?